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Procurar uma palavra numa documentação local de 3.000 páginas, em iPad

Tem a pasta. Está no Ficheiros, abre, as páginas sucedem-se corretamente. E procura uma frase que sabe estar lá dentro: um valor de binário, uma contraindicação, o parágrafo que explica o que fazer quando o módulo se recusa a arrancar.

Num computador abriria a pasta num editor e procurava em todos os ficheiros em três segundos. Num iPad não existe equivalente. Eis porquê, e o que permite safar-se.

Porque é que o iOS não procura dentro da sua pasta

A pesquisa da app Ficheiros procura nomes de ficheiros, não o seu conteúdo. O Spotlight indexa aquilo que as apps lhe entregam, e uma pasta HTML colocada num espaço de armazenamento não lhe entrega nada aproveitável: nem sumário, nem títulos, nem texto.

Quanto ao Safari, não abre uma pasta local. E mesmo quando abre uma página isolada, o seu «Procurar na página» olha apenas para essa página. Numa documentação com três mil, isso equivale a procurar uma frase num livro com direito a olhar para uma página de cada vez. Se ainda não chegou aí, comece por como abrir um ficheiro HTML no iPhone.

O que significa realmente «procurar numa documentação»

Quem procura num acervo técnico não procura uma ocorrência. Procura um sítio. Contam três coisas, e raramente estão reunidas:

O caso dos PDF digitalizados

Boa parte da documentação antiga está digitalizada. Um PDF digitalizado não é texto: é uma imagem de texto. Nenhuma pesquisa lhe pode encontrar seja o que for enquanto alguém não tiver lido a imagem.

É exequível no dispositivo, sem enviar nada para lado nenhum. Dois pontos fazem a diferença na prática: que seja a pedido (reconhecer automaticamente centenas de PDF esvaziaria a bateria para nada), e que as tabelas continuem a ser tabelas. Numa ficha de produto ou num folheto, uma linha de tabela transformada em papa de palavras torna o resultado inutilizável, e é precisamente aí que estão os valores procurados.

Quando já não nos lembramos das palavras

O verdadeiro obstáculo muitas vezes não é técnico. Sabe o que procura, mas não o termo usado por quem redigiu o manual: escreveu «purga do circuito», e o senhor procura «esvaziamento dos travões».

Fazer a pergunta em linguagem corrente resolve isso, com uma condição: que a resposta continue a ser o documento. Numa documentação técnica, uma resposta redigida é uma resposta reconstituída. Mistura de bom grado dois procedimentos vizinhos e guarda um valor que pertencia ao outro modelo, com o mesmo desembaraço. Num binário de aperto ou numa posologia, isso não se recupera.

O que se quer é a passagem: o documento, o capítulo, as páginas. E o texto de origem, no seu contexto, para ver o que está à volta.

E porque é que tudo isto tem de acontecer sem ligação

Repare onde esta documentação é realmente lida. Debaixo de um capô, numa oficina na cave. Num serviço hospitalar onde a rede acaba à porta. A bordo, em voo, no mar. Num comboio.

Uma pesquisa que precisa de enviar o seu pedido para um servidor não funciona em nenhum desses sítios. E uma documentação de empresa, um processo clínico ou um manual técnico sob contrato não têm de qualquer modo nada que fazer no servidor de outra pessoa. Uma pesquisa executada inteiramente no dispositivo resolve as duas questões ao mesmo tempo: funciona sem rede, e não há nada a perguntar sobre o que saiu.

Na prática

É o que o Pagira faz desde a versão 2.0. Abre a pasta, escreve as suas palavras, e ele procura em todas as páginas e em todos os PDF de uma só vez. Os resultados chegam agrupados por documento, abrir um leva-o à página certa com as suas palavras realçadas, e o separador ao lado aceita uma pergunta feita com as suas próprias palavras quando o termo exato lhe foge. Os PDF digitalizados tornam-se pesquisáveis a pedido. Tudo acontece no iPhone ou no iPad, sem conta e sem ligação.

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